Um estudo desenvolvido no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), em cooperação técnica com o Ministério Público do Trabalho da Bahia, investigou a prevalência de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) entre trabalhadoras e trabalhadores de praias urbanas de Salvador/BA entre 2023 e 2024. O artigo, publicado em dezembro de 2025 na revista científica Frontiers in Public Health, tem como primeira autora Mariela Sousa dos Santos, estudante de graduação em Saúde Coletiva do ISC/UFBA, evidenciando a relevância da formação acadêmica e da iniciação científica no Instituto.
Intitulado “Prevalence of work-related musculoskeletal disorders among beach workers” (em tradução livre, Prevalência de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho entre trabalhadores de praias), o estudo foi coordenado pelo professor Dr. Cleber Cremonese, docente e pesquisador do ISC/UFBA, e contou com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação do ISC.
A pesquisa teve como objetivo medir a prevalência de LER/DORT e identificar fatores demográficos, econômicos e ocupacionais associados a esses agravos entre trabalhadores de praias – um grupo majoritariamente inserido na informalidade, com condições precárias de trabalho e pouca proteção social. Segundo os autores, a literatura científica ainda apresenta lacunas importantes sobre a saúde dessa população, o que reforça a relevância do estudo e o ineditismo do tema e população estudada.
Foram entrevistados 579 trabalhadores, entre novembro de 2023 e março de 2024, em cinco faixas de areia de praias urbanas de Salvador. A coleta de dados foi realizada presencialmente, por estudantes e docentes treinados, por meio de questionários estruturados. O instrumento incluiu questões destinadas a estimar a prevalência de LER/DORT e a avaliar possíveis associações com variáveis individuais e ocupacionais.
Os resultados indicaram que 18,1% dos trabalhadores relataram diagnóstico de LER/DORT nos últimos 12 meses. A prevalência foi maior entre mulheres, pessoas com jornadas de trabalho mais extensas, especialmente aquelas que trabalhavam 13 horas ou mais por dia, e entre indivíduos que sofreram acidentes de trabalho no período analisado. Atividades que envolvem carregar peso, longos períodos de trabalho semanal e a ausência de contribuição previdenciária também apareceram como características frequentes entre os participantes.
De acordo com o estudo, as LER/DORT representam um importante problema de saúde pública, uma vez que podem comprometer a capacidade funcional, a renda e a qualidade de vida dos trabalhadores. No contexto dos trabalhadores de praias, esses agravos se somam a condições de trabalho marcadas pela informalidade, exposição ambiental e ausência de políticas de proteção adequadas.
A publicação reafirma o compromisso do ISC/UFBA com a produção de conhecimento voltado à equidade, à saúde do trabalhador e à formação crítica de estudantes, ao mesmo tempo em que evidencia o papel estratégico da pesquisa científica na compreensão dos determinantes sociais da saúde.
O coordenador do projeto, professor Cleber Cremonese, destaca a importância da cooperação técnica com instituições públicas, como o Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT/BA), bem como da oferta de bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado para estudantes. Segundo o pesquisador, essas iniciativas viabilizam a realização de ciência rigorosa e independente, além de contribuírem para a formação de futuros pesquisadores.
O artigo completo pode ser acessado pelo link: https://www.frontiersin.org/journals/public-health/articles/10.3389/fpubh.2025.1701654/full







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