A presença do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA no 14º Abrascão também se destacou pela amplitude temática, articulando debates que conectaram o cotidiano dos territórios às dinâmicas globais que impactam a saúde.
No campo da governança global, o professor Luis Eugenio de Souza analisou os desafios das cooperações internacionais em saúde, chamando atenção para a concentração de poder nas instituições multilaterais e seus efeitos sobre a legitimidade democrática. Já a professora Estela Aquino participou do lançamento do Relatório da Comissão Lancet sobre Gênero e Saúde Global, reforçando o gênero como categoria analítica fundamental na determinação social da saúde.
Questões centrais para a gestão do SUS também estiveram em pauta. A professora Isabela Pinto contribuiu para o debate sobre formação, trabalho e educação em saúde, enquanto a professora Rosana Aquino apresentou dados do Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (UBS), destacando os limites entre cobertura formal e efetividade da Estratégia Saúde da Família.
O ISC também trouxe contribuições relevantes sobre vigilância, atenção primária, saúde bucal, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e financiamento do SUS, além de pesquisas de grande porte como o ELSA-Brasil. No contexto da crise climática, as análises apresentadas evidenciaram os impactos desiguais das mudanças ambientais sobre populações negras e periféricas, reforçando a urgência de políticas públicas integradas.
Ao final do congresso, o Instituto reafirmou seu papel histórico e contemporâneo na defesa do SUS, da equidade e da saúde como direito, articulando ciência, política e compromisso social.
Texto: Arthur Lopes e Ana Flávia Nery







