Professora Ana Souto. Foto: Gabriela Carvalho

No 14º Abrascão, docentes e pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA protagonizaram o debate sobre os fundamentos teóricos, éticos e metodológicos da Saúde Coletiva, propondo a estruturação de uma nova racionalidade para o campo.

A mesa coordenada pela professora Dandara Ramos, por exemplo, dedicada à discussão da categoria raça nas diferentes áreas da Saúde Coletiva, fortaleceu esse movimento ao afirmar que o debate atual não se resume mais à necessidade de reconhecer o racismo, mas à coragem de reorganizar o próprio campo científico a partir desse reconhecimento. As discussões reforçaram raça como categoria analítica central para compreender as desigualdades no adoecimento e morte no país.

Essa perspectiva crítica foi ampliada em mesas coordenadas pelas professoras Ana Souto e Mônica Nunes, que trouxeram reflexões sobre decolonialidade, interseccionalidade e governança comunitária. Já o professor Gustavo Menezes Jr. contribuiu ao discutir práticas etnográficas comprometidas com o território, entendendo a pesquisa como relação continuada e não como mera extração de dados.

As discussões metodológicas, epistemológicas e éticas enriqueceram ainda debates sobre identidade, representação, sofrimento social, saúde mental e direitos reprodutivos, reafirmando o compromisso do ISC com uma produção de conhecimento ampliada, crítica e orientada para a transformação social.

Texto: Arthur Lopes e Ana Flávia Nery