O projeto Parto Sem Dor, desenvolvido pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) em parceria com a Fiocruz/MS, voltou a ganhar repercussão nacional ao ser destaque em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo. A matéria, divulgada em maio de 2026, abordou as desigualdades no acesso à analgesia durante o parto normal no Brasil e destacou dados produzidos pela pesquisa coordenada pelas professoras Maria do Carmo Leal (Fiocruz/MS) e Mônica Neri, do ISC/UFBA.

A nova reportagem reforça a relevância social e científica do estudo, que tem contribuído para ampliar o debate público sobre o acesso ao alívio da dor durante o trabalho de parto e sobre os desafios para a garantia de uma assistência obstétrica mais equitativa no Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a reportagem, a analgesia de parto — procedimento anestésico que reduz a dor sem impedir os movimentos da gestante — ainda é pouco acessível na rede pública brasileira. Dados apresentados pela pesquisa mostram que o recurso é significativamente mais frequente na rede privada, evidenciando desigualdades no acesso a tecnologias e cuidados que podem contribuir para uma experiência mais segura e humanizada do parto.

A presença do estudo em uma das principais publicações jornalísticas do país demonstra a capacidade da pesquisa produzida no ISC/UFBA de qualificar o debate público sobre temas estratégicos para a saúde das mulheres e para o fortalecimento do SUS. Mais do que evidenciar um problema, os resultados do projeto contribuem para subsidiar gestores, profissionais de saúde e formuladores de políticas públicas na construção de estratégias que ampliem o acesso à analgesia obstétrica de forma segura e baseada em evidências.

Esta é a segunda vez que o Projeto Parto Sem Dor alcança ampla visibilidade na imprensa nacional. A recorrência do tema nos meios de comunicação reflete a importância da discussão sobre o direito das mulheres ao cuidado qualificado durante o parto e o interesse crescente da sociedade em modelos de atenção obstétrica que conciliem segurança, autonomia e redução de intervenções desnecessárias.

“O medo da dor é o principal motivo para as mulheres desejarem uma cesárea. Precisamos garantir o acesso à analgesia peridural no parto como um direito que dê conforto, dignidade e segurança às mães e aos bebês. A cesárea, quando indicada, pode salvar vidas, mas não é um procedimento isento de riscos. E a mulher não precisa fazer uma cesárea para ter um parto confortável”, destaca Mônica Neri.

O projeto tem investigado estratégias para ampliar o acesso à analgesia de parto no SUS, contribuindo para a redução de cesarianas sem indicação clínica e para a promoção de uma assistência obstétrica mais humanizada. Os resultados reforçam o papel da universidade pública na produção de conhecimento comprometido com a transformação das práticas de saúde e com a garantia do direito à saúde para todas as mulheres.

A nova repercussão nacional reafirma a relevância do trabalho desenvolvido pela equipe do projeto e amplia o alcance de uma discussão fundamental para a saúde materna no Brasil.

Leia a matéria completa pelo: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/05/rara-no-brasil-anestesia-no-parto-normal-e-4-vezes-mais-frequente-na-rede-privada-do-que-no-sus.shtml