O Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) realizou, no dia 29 de junho, o lançamento do livro “Andanças e feituras do ECLIPSE em comunidades do Baixo Sul da Bahia afetadas pela Leishmaniose Cutânea”. O evento aconteceu no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em Salvador, reunindo pesquisadores, estudantes, profissionais de saúde, representantes das comunidades participantes do projeto e convidados.

A publicação é resultado de anos de trabalho coletivo desenvolvido pelo Projeto ECLIPSE, iniciativa internacional dedicada ao estudo dos impactos sociais, culturais e sanitários das doenças negligenciadas. O projeto é financiado pelo National Institute for Health and Care Research (NIHR), do Reino Unido, e coordenado pelas pesquisadoras Lisa Dikomitis (University of Warwick) e Helen Price (Keele University). Ele reúne pesquisadores de diferentes países na produção de evidências voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de saúde e ao enfrentamento das desigualdades associadas às doenças negligenciadas.

Organizado pelas professoras Leny Trad e Clarice Mota, do ISC/UFBA, pela pesquisadora Camila Andrade (ISC/UFBA) e pelo médico Paulo Machado (Serviço de Imunologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos – HUPES/UFBA), o livro reúne experiências, reflexões e produções construídas em parceria com comunidades do Baixo Sul da Bahia afetadas pela leishmaniose cutânea.

Da esquerda para a direita: Clarice Mota, Leny Trad e Paulo Machado.

A programação foi aberta com as falas dos coordenadores do ECLIPSE no Brasil, a professora Leny Trad e o médico Paulo Machado, que destacaram a importância da construção coletiva do conhecimento e do diálogo permanente entre universidade, serviços de saúde e comunidades. Ambos ressaltaram o legado do projeto para a pesquisa em Saúde Coletiva e para o fortalecimento de estratégias participativas de enfrentamento das doenças negligenciadas.

Na sequência, os participantes assistiram ao vídeo institucional do Projeto ECLIPSE, que apresenta uma retrospectiva das ações desenvolvidas ao longo dos anos no Brasil, Etiópia e Sri Lanka. O material reúne depoimentos emocionantes de pesquisadores, profissionais de saúde e participantes das comunidades envolvidas, além de destacar atividades realizadas nos territórios, como campanhas de conscientização, oficinas educativas, visitas de campo e iniciativas de engajamento comunitário.

Após a exibição do vídeo, autores e autoras presentes foram convidados a apresentar os capítulos da coletânea, compartilhando experiências vividas ao longo do projeto e reflexões produzidas a partir do trabalho de campo. Lisa Dikomitis e Helen Price abordaram o capítulo “Liderando um programa global de pesquisa em saúde em vários países: reflexões sobre o ECLIPSE”, no qual discutem os desafios e aprendizados da coordenação de uma iniciativa multicêntrica desenvolvida em diferentes contextos socioculturais.

Em seguida, Giselle Ferraz e Clarice Mota apresentaram o capítulo “Os desafios da gestão do ECLIPSE, um projeto transnacional e interdisciplinar: notas desde a experiência brasileira”, trazendo reflexões sobre os processos de articulação, gestão e cooperação que sustentaram o desenvolvimento da pesquisa ao longo dos anos.

Da esquerda para a direita: Diana, Clarice, Vilma e Antônia.

A relação entre território, memória e modos de vida foi tema da apresentação conduzida por Clarice Mota, Diana Anunciação, Antônia Carneiro e Vilma Santos, autoras do capítulo “Os territórios rurais e sua gente: memória, modo de vida e trabalho agrícola em comunidades do Baixo Sul da Bahia”. O texto evidencia as dinâmicas sociais e culturais das comunidades participantes, valorizando os saberes locais e as experiências construídas no cotidiano rural.

Também foi apresentado o capítulo “As oficinas de educação popular em saúde sobre Leishmaniose Cutânea na região do Baixo Sul da Bahia”, elaborado por Ana Flávia Nery, Camila Andrade, Lívia Figueiredo e Bruno William da Conceição. O trabalho aborda as estratégias de educação popular desenvolvidas junto às comunidades, destacando metodologias participativas voltadas à promoção da saúde, ao compartilhamento de conhecimentos e ao fortalecimento do protagonismo comunitário.

A obra evidencia que o enfrentamento de doenças negligenciadas exige abordagens que ultrapassem os aspectos biomédicos, incorporando dimensões sociais, culturais, econômicas e ambientais que influenciam diretamente os processos de adoecimento e cuidado.

O lançamento foi encerrado com um momento de confraternização entre autores, colaboradores e convidados, celebrando as parcerias construídas ao longo da trajetória do projeto e reconhecendo a contribuição das comunidades do Baixo Sul da Bahia para a produção dos conhecimentos reunidos na coletânea.

O livro consolida um importante legado do ECLIPSE, reafirmando o valor da pesquisa participativa, da cooperação internacional e do diálogo entre ciência e sociedade na construção de respostas mais efetivas para os desafios da saúde pública.

Clique aqui e confira todas as fotos do evento no Fickr do ISC.