O que acontece quando os serviços de saúde não reconhecem as especificidades culturais das mulheres que buscam atendimento? Essa foi a provocação que guiou a sessão do Saúde Coletiva em Debate realizada na última sexta-feira, 30 de maio, dedicada à análise crítica dos desafios enfrentados por mulheres indígenas nos serviços biomédicos de saúde reprodutiva.
O seminário contou com exposições das pesquisadoras Cecilia McCallum (MUSA/ISC/UFBA e Departamento de Antropologia e Etnologia/UFBA) e Maiara Santana (FACED/UFBA e MUSA/ISC/UFBA), sob coordenação da professora Greice Menezes (MUSA/ISC/UFBA). Participaram também do debate Ísis Jikitaiá e Taquari Pataxó, indígenas Pataxó e mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFBA.
A partir de dados da pesquisa nacional “Nascer no Brasil II” e de entrevistas com mulheres internadas para parto ou aborto, a discussão evidenciou vulnerabilidades estruturais e simbólicas que atravessam a experiência do cuidado: falhas no pré-natal, ausência de diagnóstico para gestações de alto risco, medicalização excessiva e práticas obstétricas violentas. As entrevistadas relataram situações marcadas pela falta de acolhimento, barreiras culturais, dificuldade de acesso aos serviços e comunicação precária por parte das equipes de saúde.
Mesmo diante do aumento de partos hospitalares, os indicadores de saúde materna entre indígenas permanecem preocupantes. A razão de mortalidade materna, por exemplo, continua mais que duas vezes maior do que entre a população não indígena, com destaque para desigualdades regionais que afetam principalmente o Norte do país.
O debate também apontou para a invisibilidade das mulheres indígenas em contextos urbanos, frequentemente assimiladas como usuárias comuns do SUS, sem que suas especificidades culturais sejam reconhecidas ou respeitadas. Em muitos casos, o cuidado oferecido não dialoga com práticas tradicionais, modos de vida e saberes próprios, revelando a persistência de um modelo tecnocrático e homogêneo de atenção.
A íntegra do seminário está disponível no canal do ISC no YouTube (link acima). O vídeo é acessível na Língua Brasileira de Sinais (Libras).






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