O Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) realizou, na noite de 19 de agosto, uma sessão especial do Saúde Coletiva em Debate, marcando a abertura do semestre acadêmico de 2026.2. Com o tema “Saúde Coletiva, Democracia e Eleições 2026: a agenda da saúde na pauta”, a atividade reuniu estudantes, docentes e integrantes da comunidade acadêmica no auditório do Instituto para discutir a centralidade da saúde na vida da população e os desafios contemporâneos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A mesa foi coordenada pelo professor Ismael Silveira (ISC/UFBA) e contou com a participação do professor Jairnilson Paim (ISC/UFBA) e da graduanda em Saúde Coletiva Ingrid Vieira, representante do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – seção Bahia (Cebes/BA).
Na abertura, a professora Yara Oyram Ramos Lima, vice-diretora do ISC/UFBA, deu as boas-vindas à comunidade acadêmica e destacou a retomada das atividades do Instituto no novo semestre. A docente também lembrou que o ISC se prepara para celebrar seus 32 anos em setembro, com uma programação que deverá envolver estudantes, professores, técnicos e demais integrantes da comunidade.
Ao introduzir o debate, Ismael Silveira chamou atenção para o lugar central ocupado pela saúde entre as preocupações e aspirações da população. Para o professor, compreender a saúde exige ultrapassar uma visão restrita a consultas, hospitais, medicamentos e serviços assistenciais. As condições de vida, as oportunidades disponíveis e as possibilidades de viver com dignidade, segurança e bem-estar também fazem parte dessa discussão.
O coordenador também lembrou que o ano de 2026 marca os 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986 e considerada um marco da Reforma Sanitária Brasileira. Quatro décadas depois, destacou, permanecem desafios relacionados ao financiamento adequado do SUS, às desigualdades sociais e territoriais, aos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde, à valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do setor, ao enfrentamento da desinformação e ao fortalecimento da participação social.
Em sua apresentação, Ingrid Vieira discutiu as diferentes dimensões que atravessam a organização e o futuro das políticas de saúde. A estudante abordou temas como financiamento, modelos de gestão e cuidado, incorporação de tecnologias, saúde digital, atenção às diferentes etapas da vida, vacinação e relação entre os setores público e privado na oferta de serviços. A exposição buscou estimular uma leitura crítica sobre como diferentes escolhas de gestão podem repercutir sobre a organização do sistema de saúde.
Ao final, Ingrid ampliou a discussão ao reforçar que saúde não corresponde somente à ausência de doença. Moradia digna, alimentação, educação, lazer e participação também interferem diretamente nas condições de saúde das pessoas. A estudante ressaltou ainda a importância da participação da sociedade nos assuntos de interesse coletivo, compreendendo-a como um processo que não se limita a momentos específicos, mas envolve acompanhamento, debate e reivindicação de melhorias nas políticas públicas.
Em seguida, o professor Jairnilson Paim iniciou sua exposição recuperando elementos históricos e conceituais da Saúde Coletiva. Segundo o pesquisador, o campo não deve ser confundido com uma especialidade médica, uma vez que seu objeto ultrapassa os cuidados médicos e envolve a compreensão dos processos sociais e ambientais relacionados à saúde das populações. Paim também diferenciou Saúde Pública e Saúde Coletiva, destacando a construção desta última a partir da realidade latino-americana. Para Paim, a capacidade crítica constitui uma característica fundamental da Saúde Coletiva. Essa crítica, ressaltou, precisa estar fundamentada teoricamente para permitir a análise das políticas e práticas de saúde para além das respostas imediatas aos problemas do setor. O professor definiu a Saúde Coletiva simultaneamente como um campo científico, um âmbito de práticas e uma área de atuação profissional, atravessada por dimensões técnicas, culturais, econômicas e sociais.
Ao longo da discussão, o pesquisador também chamou atenção para transformações recentes no campo da saúde, entre elas a expansão da saúde digital. Paim destacou a necessidade de analisar criticamente a incorporação de tecnologias e o uso de dados em saúde, considerando suas finalidades, formas de implementação e possíveis repercussões para a população. O debate abordou ainda temas como prontuário eletrônico, produção de vacinas, organização dos serviços e enfrentamento das filas de atendimento.
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