O Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou, em 27 de março de 2026, mais uma edição do “Saúde Coletiva em Debate”, com o tema “Integração entre Evidências e Intervenções no Controle da Tuberculose”. A atividade integrou a semana de mobilização pelo combate à doença e reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais de saúde no auditório do Instituto, com acessibilidade em Libras.

Coordenado pelo professor Márcio Natividade, o encontro destacou o papel histórico do ISC/UFBA na produção de conhecimento voltado aos problemas de saúde da população e no enfrentamento de doenças como a tuberculose. Em sua abertura, o docente ressaltou que o Instituto tem contribuído, desde sua criação, para a geração de evidências e para a articulação de parcerias nacionais e internacionais, apoiando a tomada de decisão em saúde pública. Entre as iniciativas apresentadas, destacou-se o projeto WellModTB, um estudo multicêntrico internacional desenvolvido em colaboração com instituições do Reino Unido, da Índia, da Indonésia e da África do Sul. A pesquisa busca produzir evidências para orientar políticas de controle da tuberculose, incluindo modelagens sobre o impacto de novas vacinas, estudos sobre a prevalência da infecção latente e análises econômicas sobre a incorporação dessas tecnologias.

A pesquisadora Theolis Bessa apresentou uma análise dos fatores de risco associados à tuberculose, destacando que a doença não pode ser compreendida apenas a partir de uma lógica biomédica. Segundo ela, embora o agente infeccioso seja conhecido, o desenvolvimento da doença está profundamente relacionado a condições sociais, econômicas e políticas, como a pobreza, a desigualdade, o acesso limitado a serviços de saúde e as violações de direitos. A partir de uma ampla revisão da literatura científica, a pesquisadora evidenciou que muitos desses fatores são modificáveis e devem ser considerados na formulação de políticas públicas mais eficazes. A apresentação ainda destacou que a literatura científica tende a priorizar fatores biológicos e clínicos, enquanto aspectos sociais – como situação de rua, encarceramento, baixa escolaridade e desigualdades estruturais – permanecem sub-representados. Essa lacuna, segundo a pesquisadora, limita a capacidade de resposta das políticas de saúde e reforça a necessidade de abordagens mais integradas, que articulem ciência, equidade e direitos humanos no enfrentamento da doença.

O mestrando Rivaldo Barros apresentou os resultados do projeto “Nós nas Ruas”, que investiga a tuberculose entre pessoas em situação de rua. A pesquisa evidencia que essa população está exposta a múltiplas vulnerabilidades, o que amplia o risco de adoecimento e dificulta o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. O estudo também busca compreender as percepções dessas pessoas sobre a doença e mapear as redes de cuidado disponíveis, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias mais sensíveis às realidades vividas por esses grupos.

Compondo a mesa, Henrique Ávila apresentou experiências desenvolvidas pela organização Motirô-BA, por meio do projeto Akanni, com foco na prevenção da tuberculose e da coinfecção TB-HIV em populações vulnerabilizadas. As iniciativas reforçam a importância de ações territoriais, do engajamento comunitário e da construção de estratégias de cuidado que dialoguem com os contextos locais.

Ao integrar diferentes abordagens, o encontro evidenciou que o enfrentamento da tuberculose exige mais do que a produção de evidências. É necessário articular conhecimento científico, políticas públicas e intervenções concretas capazes de alcançar as populações mais vulneráveis, combatendo as desigualdades que sustentam a persistência da doença.

O evento contou com acessibilidade em Libras e está disponível no canal do ISC no Youtube (link acima).