O Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (PPGSC/ISC-UFBA) realizou, no dia 26 de agosto, o Seminário de Planejamento Estratégico 2025-2028. O encontro reuniu docentes, discentes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos para discutir desafios, prioridades e ações que deverão orientar o desenvolvimento do programa nos próximos anos.

Realizada no Hotel Sol Marina Vitória, em Salvador, a atividade foi estruturada como um espaço de reflexão e construção coletiva, articulando o processo de autoavaliação do PPGSC às novas diretrizes da pós-graduação brasileira, ao Plano Diretor do ISC e ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFBA. Ao longo do dia, foram debatidos temas como formação e permanência estudantil, produção científica, impacto social, internacionalização, equidade, diversidade, infraestrutura e governança.

Na abertura, a coordenadora do PPGSC/ISC-UFBA e organizadora do seminário, professora Monique Esperidião, destacou que o encontro representa o início de um processo mais amplo de planejamento e reflexão sobre os rumos do programa. A proposta, segundo a coordenadora, é transformar a avaliação institucional em um instrumento efetivo de tomada de decisão, envolvendo diferentes segmentos da comunidade acadêmica na identificação dos principais desafios e na construção das prioridades para o quadriênio 2025-2028. A iniciativa se articula a uma cultura de autoavaliação já consolidada no ISC e aos Seminários de Avaliação e Perspectivas (SAPs), realizados periodicamente pela instituição.

Para Monique, o planejamento não se encerra no seminário. Durante o encontro, ela ressaltou que as discussões realizadas devem ser sistematizadas e aprofundadas em novas etapas, permitindo priorizar problemas, identificar oportunidades e transformar as diretrizes construídas coletivamente em objetivos, estratégias e ações concretas. Ao final da atividade, sintetizou a proposta ao afirmar que a intenção do planejamento era justamente “desencadear processos de reflexão crítica”, ressaltando que aquele encontro constituía apenas o primeiro movimento de um trabalho que continuará ao longo do quadriênio.

A diretora do ISC/UFBA, professora Joilda Nery, reforçou a importância do seminário para o desenvolvimento institucional do Instituto e reconheceu o trabalho desenvolvido pela coordenação e pelo colegiado da pós-graduação na organização da atividade e na condução do processo de autoavaliação. Joilda destacou que o encontro também recupera discussões realizadas nos Seminários de Avaliação e Perspectivas (SAP) e deverá fornecer novos elementos para os próximos ciclos de avaliação institucional.

A mesa contou ainda com a  Professora Dayana Bastos, Pró-Reitora de Ensino de Pós-Graduação da Universidade Federal da Bahia; com a Professora Sheila Alvim de Matos, Coordenadora de Pesquisa, Criação e Inovação, representando a Pró-Reitoria de Pesquisa, Criação e Inovação da Universidade Federal da Bahia e com a Professora Aylene Bousquat, Coordenadora da Área de Saúde Coletiva na CAPES.

Diretrizes da pós-graduação em Saúde Coletiva

A primeira mesa do seminário, intitulada “Documento de Área da Saúde Coletiva 2025-2028: diretrizes, disputas e perspectivas”, foi coordenada pela professora Isabela Cardoso de Matos Pinto (ISC/UFBA) e contou com a participação de Aylene Bousquat e Alberto Novaes, integrantes da coordenação da área de Saúde Coletiva da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Ao introduzir o debate, Isabela destacou a importância de articular as novas orientações da avaliação da pós-graduação com instrumentos institucionais como o Plano de Desenvolvimento Institucional da UFBA,  o Plano Diretor do ISC e os Planos Diretores da Abrasco. Para a docente, o desafio não é apenas produzir documentos de planejamento, mas transformá-los em ações capazes de responder às mudanças e aos desafios cada vez mais complexos da pós-graduação. 

Em sua apresentação, Aylene Bousquat discutiu a estrutura e o funcionamento do sistema de avaliação da CAPES e contextualizou as mudanças previstas para o atual ciclo. A professora ressaltou que a avaliação envolve diferentes etapas, desde o ingresso dos programas no Sistema Nacional de Pós-Graduação até a avaliação periódica de permanência, além de um amplo processo de participação de docentes de programas de diferentes notas, regiões e perfis. Segundo ela, a formação permanece como uma dimensão central para a avaliação dos programas, ao lado da proposta do programa e de seu impacto. A pesquisadora também chamou atenção para os limites e negociações envolvidos na construção dos critérios de avaliação, que precisam dialogar com orientações comuns às diferentes áreas do conhecimento.

O debate com o  Alberto Novaes reforçou, ainda, a necessidade de os programas acompanharem continuamente suas trajetórias, qualificarem os registros de suas atividades e tornarem mais evidentes as contribuições produzidas pela formação, pesquisa e atuação institucional. A discussão serviu de base para o exercício de planejamento realizado ao longo do restante do encontro, aproximando os critérios nacionais de avaliação das características e prioridades específicas do PPGSC, considerando ainda o planejamento regional dos programas de pós-graduação em Saúde Coletiva na Bahia.

Planejamento articulado ao ISC e à UFBA

Na sequência, a segunda mesa abordou o “Planejamento Estratégico no PPGSC ISC-UFBA: articulação com o Plano Diretor do ISC”, com apresentação do professor Luis Eugênio de Souza (ISC/UFBA). A discussão partiu da necessidade de integrar o planejamento da pós-graduação ao Plano Diretor do Instituto e ao Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade, de forma que as prioridades específicas do PPGSC estejam conectadas à orientação estratégica mais ampla da UFBA. A mesa foi coordenada pelo Prof. Jorge Iriart, membro da Comissão de Autoavaliação do Programa. 

Luis Eugênio apresentou uma proposta de arquitetura integrada para o planejamento, articulando os diferentes instrumentos institucionais e as diretrizes da CAPES. Entre os princípios destacados estiveram a excelência acadêmica associada ao compromisso social, a produção de conhecimento relevante, a redução das desigualdades, a sustentabilidade, a interdisciplinaridade, a internacionalização e o uso crítico e ético das tecnologias digitais. O professor defendeu que o planejamento seja compreendido como um ciclo contínuo, envolvendo diagnóstico, definição de prioridades e objetivos, formulação de estratégias, acompanhamento e revisão das ações.

A mesa também contou com a participação da professora Rita Barradas Barata, convidada como debatedora e integrante externa da comissão de autoavaliação. A partir de sua experiência em processos de avaliação da pós-graduação, Rita enfatizou que os indicadores quantitativos precisam ser interpretados à luz das características concretas dos programas e de seus estudantes. Segundo ela, fatores como a inserção profissional dos discentes, as desigualdades regionais e as diferentes trajetórias formativas precisam ser considerados para que a autoavaliação não se restrinja à descrição de números, mas permita compreender processos e orientar mudanças.

Autoavaliação identifica avanços e desafios

No período da tarde, o seminário avançou para a apresentação do diagnóstico situacional e dos resultados parciais da autoavaliação do PPGSC, apresentado pelo professor e vice-coordenador do PPGSC, Marcos Pereira (ISC/UFBA). O levantamento combinou questionários, análise documental, dados acadêmicos e grupos focais com estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos e outros segmentos da comunidade. O processo buscou avaliar, entre outros aspectos, a formação, a produção intelectual e as relações institucionais do programa, além de incorporar dimensões qualitativas que permitam compreender as experiências vividas na pós-graduação.

Os resultados apresentados apontaram aspectos positivos, como o reconhecimento da qualidade da formação, a atuação da secretaria do programa, a relação entre orientadores e estudantes, a inserção profissional dos egressos e a ampliação da presença de estudantes negros na pós-graduação. Ao mesmo tempo, foram identificados desafios relacionados à permanência, à sobrecarga acadêmica, à conciliação entre trabalho e estudos e às condições específicas enfrentadas por estudantes estrangeiros, mães e pessoas que amamentam. A análise também indicou a necessidade de ampliar o ingresso de indígenas, quilombolas e pessoas trans, além de aperfeiçoar estratégias de acolhimento e acompanhamento desses diferentes grupos. Após a apresentação do diagnóstico, os participantes debateram os principais pontos críticos identificados e discutiram perspectivas de ação para o programa. 

No encerramento, Monique Esperidião ressaltou que o seminário cumpriu a proposta de iniciar um processo coletivo de reflexão crítica, mas destacou que o trabalho seguirá nas próximas etapas. As contribuições produzidas durante as mesas, a autoavaliação e os grupos deverão ser sistematizadas para a definição de prioridades, objetivos, estratégias e ações concretas para o quadriênio. Dessa forma, o planejamento passa a ser compreendido como um processo contínuo de acompanhamento e aprimoramento do PPGSC tendo em vista a manutenção da  excelência  acadêmica e relevância no cenário científico e sanitário nacional.

Com a participação de diferentes gerações e segmentos da comunidade acadêmica, o seminário reafirmou a autoavaliação e o planejamento participativo como ferramentas para fortalecer a trajetória do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do ISC/UFBA, preservando sua excelência acadêmica e, ao mesmo tempo, buscando respostas para os novos desafios da formação, da produção de conhecimento e da atuação social em Saúde Coletiva.

Veja as imagens pelo Flickr do ISC.