Na última quarta-feira (16), em Manaus (AM), teve início do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS), promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). À frente do Congresso esteve o professor Henrique Saldanha, doutor formado pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), pesquisador do Instituto e professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da UFBA.

Realizado pela primeira vez na região Norte, o 10º CSHS reuniu pesquisadores, estudantes, profissionais de saúde, representantes de movimentos sociais e outros atores da Saúde Coletiva para quatro dias de debates sobre o tema “Interculturalidade, Ambiente e Saúde: os desafios do século XXI para uma vida em conexão com os territórios”.

A cerimônia de abertura aconteceu no Auditório Eulálio Chaves, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e contou com representantes da Abrasco, das instituições organizadoras e parceiras e do Ministério da Saúde. O congresso foi realizado pela Abrasco em parceria com a UFAM, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Em seu discurso como presidente do 10º CSHS, Henrique destacou os 40 anos da Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Abrasco e recuperou marcos fundamentais da história da Saúde Coletiva brasileira, como a Assembleia Nacional Constituinte, o movimento da Reforma Sanitária e a participação de Sérgio Arouca na 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), em 1986, quando ganhou força a ideia de que “Saúde é democracia”.

O professor também ressaltou a necessidade de considerar as desigualdades produzidas por diferentes marcadores sociais na compreensão dos desafios enfrentados pelo Brasil e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), destacando classe, raça e gênero.

Ao abordar a realização do congresso na Amazônia, Saldanha afirmou que a escolha de Manaus representa mais do que um deslocamento geográfico do evento, mas a possibilidade de aproximar o campo das diferentes realidades e potências presentes nos territórios.

“A defesa da democracia não é para nós uma abstração, ela se materializa na defesa da vida, do SUS, da ciência, das universidades públicas, dos territórios, dos direitos dos povos, da possibilidade de uma sociedade onde nós possamos decidir coletivamente sobre nosso futuro. Não é casual que estejamos pela primeira vez realizando um congresso da Abrasco no Norte e na Amazônia. Estar em Manaus não significa deslocar geograficamente um congresso, não significa um desafio, é uma realidade e uma potência”, declarou.

Ao longo dos quatro dias, o congresso promoveu debates sobre as relações entre interculturalidade, ambiente, território e saúde, colocando em diálogo diferentes perspectivas das Ciências Sociais e Humanas em Saúde e experiências de pesquisadores, profissionais, movimentos sociais e comunidades.