O Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia realizou, no dia 10 de abril de 2026, a aula inaugural do Mestrado e Doutorado Profissional em Saúde Coletiva, com área de concentração em Informação e Saúde Digital. Com o tema “Transformação Digital e IA no SUS: estratégias de implementação e impactos sociais”, o evento marcou o início de uma nova etapa formativa voltada à qualificação de profissionais para os desafios contemporâneos da saúde pública brasileira.
A atividade aconteceu simultaneamente no auditório da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), em Salvador e na Fiocruz Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal do ISC no YouTube, ampliando o acesso ao debate para diferentes públicos. Reunindo representantes do Ministério da Saúde, da SESAB, da Fiocruz Brasília e do próprio ISC/UFBA, a mesa de abertura evidenciou o caráter estratégico e intersetorial da iniciativa, reforçando a articulação entre ciência, tecnologia e políticas públicas no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante a abertura, foi destacado que o programa se insere em um esforço nacional de formação em saúde digital, com foco na qualificação de trabalhadores do SUS e no desenvolvimento de competências voltadas ao uso de dados, monitoramento e avaliação em saúde. A iniciativa é fomentada pela Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde e conta com a participação de diferentes instituições parceiras, reafirmando o compromisso com a inovação e a soberania tecnológica no campo da saúde.
Ao apresentar resultados preliminares de programas formativos já realizados, o professor Márcio Natividade (ISC/UFBA) destacou a amplitude das ações desenvolvidas, que já alcançaram centenas de profissionais em todo o país, com forte presença de trabalhadores da gestão municipal. Segundo ele, os cursos têm contribuído para ampliar a capacidade técnica dos serviços de saúde, além de fomentar a produção de conhecimento em formatos acessíveis, como vídeos, podcasts e materiais didáticos.
O painel temático foi conduzido por Leonardo Castro e Paula Xavier, que abordaram diferentes dimensões da transformação digital no SUS. Em sua exposição, Leonardo Castro situou a inteligência artificial como parte de uma nova revolução tecnológica, marcada pela expansão de ferramentas como o deep learning e a IA generativa. O pesquisador destacou o potencial dessas tecnologias para aplicações em diagnóstico, apoio à decisão clínica, gestão de sistemas e educação em saúde, ao mesmo tempo em que alertou para desafios éticos, regulatórios e sociais, como vieses algorítmicos, privacidade de dados e impactos na relação entre profissionais e usuários .
Já Paula Xavier apresentou o Índice de Maturidade em Saúde Digital (INSE), ferramenta desenvolvida pelo Ministério da Saúde para avaliar o grau de desenvolvimento da saúde digital em estados e municípios brasileiros. Segundo a diretora do DATASUS, o índice permite acompanhar o avanço das capacidades institucionais ao longo do tempo, evidenciando que grande parte dos municípios ainda se encontra em níveis iniciais de maturidade. Entre os principais desafios apontados estão a insuficiência de infraestrutura tecnológica, as dificuldades de integração entre sistemas de informação e a necessidade de fortalecer a formação profissional na área .
O debate também destacou questões estratégicas para o futuro da saúde digital no Brasil, como a soberania sobre dados, a dependência de grandes empresas de tecnologia e a necessidade de desenvolver soluções nacionais adaptadas às realidades locais. Além disso, foram discutidos os impactos sociais da incorporação da inteligência artificial no SUS, especialmente em um contexto marcado por desigualdades territoriais e estruturais.
Ao final, os participantes reforçaram que a transformação digital não deve ser compreendida apenas como inovação tecnológica, mas como um processo que exige investimento em formação, governança e políticas públicas comprometidas com a equidade. Nesse sentido, a qualificação de profissionais aparece como um elemento central para garantir que o uso de tecnologias digitais contribua efetivamente para o fortalecimento do SUS e para a ampliação do direito à saúde.
Aberta ao público, a aula inaugural reafirma o compromisso do ISC/UFBA com a formação crítica e com a produção de conhecimento voltado às necessidades do sistema de saúde brasileiro, consolidando a instituição como referência na articulação entre saúde, tecnologia e sociedade.







