Mateus Brito na Cerimônia de Abertura do evento. Foto: Gilson Rabelo

A participação do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão) foi marcada por uma atuação que extrapolou a apresentação de trabalhos científicos, afirmando-se com um posicionamento político consistente em defesa da democracia, da equidade e do Sistema Único de Saúde (SUS).

O tom foi estabelecido logo na cerimônia de abertura, com a fala de Mateus Brito, doutorando do ISC, quilombola e coordenador do coletivo de saúde da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Em sua intervenção, Mateus denunciou o racismo institucional que atravessa a política de saúde e a precarização das condições de vida da população quilombola, chamando atenção para o distanciamento entre o SUS real e o SUS preconizado pela Reforma Sanitária Brasileira.

A denúncia ganhou ainda mais relevância ao trazer à tona a retirada da Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola da pauta do Conselho Nacional de Saúde, evidenciando os obstáculos à efetivação da equidade como princípio estruturante do sistema. A repercussão da fala perpassou todo o congresso, encontrando eco no Grande Debate que contou com a participação do professor emérito do ISC/UFBA, Jairnilson Paim, que afirmou que o movimento da Reforma Sanitária passa por um processo de revitalização.

Ao longo do Abrascão, a atuação do ISC reafirmou a sua posição institucional: não há saúde sem enfrentamento do racismo, sem compromisso com a justiça social e sem a defesa da democracia.

Texto: Arthur Lopes e Ana Flávia Nery