Financiado pelo Ministério da Saúde, o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) lança um boletim especial em referência ao Dia Mundial da Atividade Física, celebrado anualmente em 6 de abril. A pesquisa, que acompanha de perto cerca de 15 mil adultos em seis estados há mais de 15 anos, consolidou descobertas cruciais sobre como o movimento — e até mesmo o bairro onde moramos — afetam a nossa expectativa de vida e a prevenção de doenças. O projeto conta também com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, CNPq e Finep.
Baseado em mais de 100 artigos científicos publicados pelo estudo, o levantamento utilizou dados de questionários de hábitos e de acelerômetros, aparelhos semelhantes a relógios inteligentes que registraram os movimentos diários dos brasileiros avaliados.
Pequenas trocas salvam vidas
Em média, substituir apenas 10 minutos diários de comportamento sedentário (ficar sentado ou deitado) por alguma atividade física moderada ou vigorosa foi associado a um risco de mortalidade 10% menor em um período de 5 anos.
O poder dos passos
Acumular a partir de 7.000 passos por dia se provou uma meta de grande impacto, reduzindo a mortalidade em 5 anos pela metade.
Aposentadoria e o desafio de manter-se ativo
Embora muitos pensem que a aposentadoria traz mais tempo livre para cuidar da saúde, ficar parado torna-se um hábito mais comum nessa fase. Homens aposentados registraram uma inatividade física 65% maior do que aqueles que ainda trabalham; entre as mulheres, o salto de inatividade foi de 55%.
Vizinhança e saúde
O ambiente tem forte peso contra a obesidade. Moradores próximos a áreas verdes, como praças e parques, praticavam mais exercícios e apresentavam menos casos de obesidade. Aqueles que relataram ter uma vizinhança com boa estrutura (sombra, baixo tráfego e facilidade para caminhar) apresentaram uma chance 69% maior de atingir a recomendação de praticar atividade física no lazer (>= 150 minutos/semana).
Aliado contra doenças crônicas
Para quem convive com diabetes tipo 2, hipertensão ou dores musculares persistentes, o exercício regular ajuda a manter a doença controlada, impede complicações graves no coração e garante maior autonomia para as atividades rotineiras.
Os resultados do ELSA-Brasil reforçam a importância de promover políticas públicas voltadas para a prática de atividades físicas. A mensagem central aos brasileiros é de que pequenas mudanças diárias, quando repetidas, protegem o coração, o cérebro e todo o organismo.
Sobre o ELSA-Brasil
O ELSA-Brasil é o maior estudo longitudinal sobre saúde do adulto na América Latina. Criado em 2008, acompanha servidores públicos de seis instituições: UFBA, UFRGS, USP, UFMG, UERJ e UFES. Entre seus principais objetivos, está investigar determinantes do diabetes, doenças cardiovasculares, saúde mental e envelhecimento.
Acesso ao boletim completo
A publicação especial do Dia Mundial do Diabetes está disponível gratuitamente no site do ELSA-Brasil: https://elsabrasil.org/boletim-do-dia-mundial-da-atividade-fisica-2026.







