Foto: Roan Nascimento/Abrasco

O professor Luis Eugenio de Souza, diretor do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA) e presidente da Federação Mundial das Associações de Saúde Pública (WFPHA), participou na manhã de ontem (22) do grande encontro “Saúde global: perspectivas para o direito à saúde”, durante a realização do 9º Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária. O evento é promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e acontece no Centro de Convenções de João Pessoa, na Paraíba, até sexta-feira (24).

Em sua apresentação, o professor Luis Eugenio de Souza discutiu o panorama atual da saúde global e destacou a importância de abordar os problemas de saúde mundiais para além da capacidade de intervenção dos Estados nacionais. Segundo Souza, apesar das melhorias na saúde global desde o ano 2000, a pandemia de COVID-19 reverteu muitos desses avanços e exacerbou as iniquidades entre regiões.

“A crise climática tem piorado o estado de saúde, chegando a por em risco a continuidade da vida no planeta. As guerras estão afetando diretamente 25% da população mundial. Ainda passamos por uma sindemia, ou seja, a coexistência de várias condições mórbidas em contextos de iniquidades diversas, potencializando seus efeitos adversos”, alertou o professor.

Ao falar sobre a crise climática, Luis Eugenio de Souza enfatizou a importância da abordagem da Saúde Única, que busca equilibrar a saúde de pessoas, animais e ecossistemas de forma sustentável. O professor criticou o filantrocapitalismo por seu enfoque limitado e destacou a necessidade de uma abordagem mais holística e social para a saúde global. Ele frisou a necessidade de ações efetivas para enfrentar a crise climática e a iniquidade em saúde, desafiando a discrepância entre a retórica e a prática no campo.

“A Saúde Global necessita superar a perspectiva tecnocrática e assumir a perspectiva social, ou seja, tomar como objeto de estudo e intervenção não os problemas de saúde definidos em termos de mortes, doenças, lesões e riscos, mas sim as necessidades radicais de saúde, nada menos do que todas as condições requeridas para promover a qualidade de vida e a emancipação humana”, concluiu o professor.