Evento reúne protagonistas da Reforma Sanitária Brasileira e novas gerações para discutir a trajetória, os desafios e o futuro do SUS

O ano de 2026 marca quatro décadas de um dos acontecimentos mais importantes da história da saúde pública brasileira: a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986. Com ousadia política e ampla participação popular, a Conferência reuniu cerca de mil delegados e quatro mil participantes, aprovando propostas fundamentais para a afirmação da saúde como direito de todos e dever do Estado e para a construção das bases que dariam origem ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Quarenta anos depois, o ciclo de debates “Da Reforma Sanitária ao Futuro do SUS – 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde” propõe retomar o espírito político e participativo que marcou aquele momento histórico, revisitar seus legados e refletir sobre o cenário atual e os caminhos para o futuro do sistema público de saúde brasileiro.

A iniciativa reúne acadêmicos, pesquisadores e militantes que tiveram papel de destaque na construção da 8ª Conferência, ao lado de novas gerações de pesquisadores que vêm produzindo diferentes olhares sobre esse marco histórico, em diálogo com a diversidade, as novas fronteiras e as demandas contemporâneas da saúde coletiva e da sociedade brasileira.

Após passar por Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus, o ciclo chega a Salvador nos dias 28 e 29 de setembro, tendo o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) como anfitrião e co-realizador. A programação será realizada no Salão Nobre da Reitoria da UFBA e no Auditório do ISC/UFBA, integrando também as atividades comemorativas pelos 32 anos do Instituto.

Ao longo dos dois dias, seis mesas propõem um percurso que articula memória, participação social, direitos, inovação e os desafios contemporâneos do SUS. A programação começa com o debate sobre os 40 anos de conferências populares de saúde, retomando a importância da participação social na construção e defesa do direito à saúde.

Na sequência, o ciclo aborda o processo histórico de luta pela saúde das populações negra, indígena e romani/cigana no Brasil, da 8ª Conferência à atualidade, trazendo para o centro do debate as diferentes trajetórias de luta pelo direito à saúde e os desafios relacionados à equidade e à diversidade.

O primeiro dia será encerrado com o Grande Debate “Da Reforma Sanitária ao Futuro do SUS”, que reunirá diferentes perspectivas para discutir os caminhos do projeto da Reforma Sanitária Brasileira e os desafios colocados para o sistema público de saúde.

No segundo dia, a programação se volta para questões que ganham cada vez mais importância no cenário contemporâneo. A mesa “Indicadores em Saúde na fronteira digital: atualizações acerca da soberania sanitária e tecnológica” discutirá as transformações provocadas pela expansão das tecnologias digitais e seus impactos sobre a soberania sanitária e tecnológica.

A mesa “Informação, Educação e Comunicação: olhares transversais em meio à emergência do MRSB” colocará em debate o papel estratégico da informação, da educação e da comunicação diante das novas disputas e desafios que atravessam a saúde coletiva e a Reforma Sanitária Brasileira.

Encerrando o ciclo, a mesa “Trabalhadores da Saúde: caminhos para enfrentar os desafios persistentes” discutirá questões relacionadas aos trabalhadores e aos desafios que permanecem no cotidiano da construção e sustentação do SUS.

Mais do que celebrar os 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde, o ciclo propõe revisitar a história para pensar o futuro. Quatro décadas depois daquele encontro que ajudou a transformar a saúde em um direito constitucional, o SUS permanece como uma das maiores conquistas sociais brasileiras, mas enfrenta desafios que exigem novas reflexões, estratégias e formas de participação.

Pensar o futuro do SUS significa reconhecer as conquistas construídas ao longo dessa trajetória, enfrentar desigualdades e lacunas que ainda persistem e compreender as novas demandas que emergem na sociedade e no campo da saúde coletiva. Significa também reafirmar os princípios que deram origem ao sistema e, ao mesmo tempo, pensar sua capacidade de responder às transformações sociais, tecnológicas, demográficas e políticas do presente e do futuro.

É nesse encontro entre memória, experiência e futuro que o ciclo “Da Reforma Sanitária ao Futuro do SUS” se insere: como espaço de diálogo entre diferentes gerações para atualizar o projeto da Reforma Sanitária Brasileira e construir, coletivamente, caminhos para um SUS cada vez mais público, universal, democrático e capaz de responder aos desafios do seu tempo.

As inscrições estão abertas está disponível clicando aqui.